Entrevista do Bira comigo na Residencia dos FOfinhos e video - TopicsExpress



          

Entrevista do Bira comigo na Residencia dos FOfinhos e video gravado por ele: Vocês não têm ideia do que é cuidar de 200 cachorros!... Nem mesmo assistindo ao vídeo abaixo, feito quando visitei a casa de Renata Brito, em Anchieta, terão ideia exata. Eu também não sabia o que encontraria e cheguei ali de tênis, calça esportiva e camisa dry, novinha em folha. Depois de conversar com seu companheiro Adilson Taipan, na calçada, falei que queria subir para filmar os cachorros antes que anoitecesse. Ele me olhou de cima a baixo e disse: "É melhor você trocar de roupa." Ofereceu-me chinelos, camisa e bermuda surrada. Enquanto eu me trocava, antevi que não seria fácil encarar a cachorrada. Taipan abriu um velho portão de ferro e subiu a escada entre os festejos e latidos dos cães de todos tamanhos e tipos. Segui logo atrás, ocupando meu medo com a atividade de filmar a cena. Deu certo: logo estava sorrindo e me divertindo com a cachorrada. Ali tinha de tudo: cachorro de um olho só, de três patas, alguns carentes, um ou outro brigão e muitos festivos. Todos com pelos e olhares brilhantes, bem diferente da forma que foram recolhidos no abandono ou após um atropelamento. E eles quase me derrubavam se eu abaixasse para filmá-los. Renata embala uma cadela diante de cinco canis inacabados: falta de verba. No andar de cima, Adilson mostrou-me os canis inacabados por falta de verba e apresentou-me um dog alemão negro, o Gigante. Quando falava do trabalho diário no cuidado com os cães, foi interrompido por latidos e a correria dos caninos em direção à escada e antecipou: "É a Renata chegando." Foi impossível cumprimentá-la enquanto passava, de tão assediada pelos cachorros. Em um dado instante, eles pareciam formar um véu de noiva atrás de Renata. Tentei desenvolver uma conversa mas foi quase impossível e parti antes que a noite chegasse. Da Barra para a Baixada Agora estamos em 2008. Enquanto um padre paranaense se amarra a balões de festa para levantar voo e desaparecer, pateticamente, no céu de Paranaguá; a professora de Inglês Renata Brito, residente na Barra da Tijuca, vai ao hospital visitar sua avó internada. Terminada a visita, depara-se na portaria com um cão doente e abandonado. Na tentativa de socorrê-lo, ligou para ONGs e grupos de proteção obtendo sempre a mesma resposta: "Nós não fazemos resgate". - Fiquei dois dias sem trabalhar ou estudar e uma frustração enorme tomou conta de meu coração - relata. Eu já era ativa em projetos de caridade das pastorais católicas, mas a partir daí, resolvi transferir minha dedicação aos cães doentes ou abandonados. Ingressou em um grupo de proteção onde ficou por um ano e meio, mas não se deu por satisfeita. O grupo recuperava poucos cães os levava para feiras de doação. - Isso não resolvia o problema dos cães abandonados. Meu sonho é acabar o máximo com a crueldade, então parti para o meu próprio projeto. Mas se os animais mal tratados não estavam na Barra, Renata encheu balões de gás imaginários e seguiu para a distante Baixada Fluminense, onde pessoas idosas e pobres, que não tinham nem condição de cuidarem de si mesmas, possuíam grande quantidade de animais. - De Mesquita, uma senhora havia ligado dizendo que fora despejada e que possuía 50 cães. Quando cheguei lá, constatei que eram 150! Por fim, um parente dela cedeu um sítio em Japeri e eu fiquei um ano fazendo o trajeto Barra-Japeri, três vezes por semana, para cuidar dos caninos. No final das contas, a senhora ainda falou mal e se voltou contra Renata, que pensou: "Todo esse dinheiro que aplico lá vai ser melhor aproveitado se eu tiver meu próprio canto." Foi quando decidiu morar em Anchieta, bairro próximo da Baixada Fluminense e transferir para lá os animais de um outro lar carente, na Tijuca. Era cerca de 100 cachorros no novo abrigo de Anchieta: - Não peguei mais, porém as pessoas do bairro começaram a abandonar cães na minha porta. Até mesmo cães acidentados e quase mortos - explica. Alegrias e Tristezas Ano passado Renata Brito foi mantenedora de um abrigo com 70 cães, instalado em um terreno abandonado, em Nilópolis. Até que a prefeitura resolveu demolir o local para construção de um museu. Os animais foram apreendidos e levados para Nova Iguaçu, onde estão inacessíveis, e caso foi parar nos jornais e TV (vídeo abaixo). Ela entrou com uma ação no Ministério Público e processo corre na Justiça. A partir daí, a professora concentrou sua dedicação ao próprio abrigo, em Anchieta, promovendo seu trabalho no Facebook. - O Facebook trouxe muitas alegrias e muitas tristezas... - avaliou, referindo-se à ajuda destinada aos animais, que recolhe, e às acusações sem prova ou apócrifas, fáceis de fazer via internet. Seu sonho mais próximo é terminar a construção dos canis no abrigo de Anchieta. Os mais distantes são desenvolver projetos de castração de animais de comunidades carentes, ou de rua, bem como ver construído um Hospital Público Veterinário, no Rio. Peraí, eu falei "distantes"??... Desculpem-me, não posso medir distância para falar de Renata - a mulher que abandonou o conforto da Barra e mergulhou na Baixada, contrariando até políticos. Diferente da história do padre paranaense, que se amarrou nos balões e desapareceu no céu, espero que a professora guerreira transforme em realidade tudo o que seu amor pelos animais projeta. Abraços! Bira. youtube/watch?v=sa1KXKrsPAQ&feature=share birananet/2012/10/o-sonho-de-renata.html
Posted on: Mon, 30 Sep 2013 15:06:41 +0000

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