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Sesp revela escala para rodízio de PMs cedidos ao Gaeco Secretaria mantém decisão de trocar policiais que prestam serviço ao Ministério Público. Até dezembro, 27 agentes serão substituídos Publicado em 06/09/2013 | FELIPPE ANÍBAL E DIEGO RIBEIRO A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) manteve a intenção de substituir os policiais cedidos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), coordenado pelo Ministério Público (MP) do Paraná, e anunciou ontem uma escala de retorno desses agentes. Até dezembro, 27 dos 37 policiais militares que servem ao grupo serão trocados. Os policiais civis também serão recolhidos em data a ser definida. A decisão, que estremeceu as relações entre MP e Sesp, ameaça esvaziar as ações do grupo, que atualmente realiza 638 procedimentos investigativos. INFOGRÁFICO: Veja as mudanças que acontecem com o retorno dos policiais as suas funções Segundo o secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, o rodízio de agentes é uma política definida com o objetivo de aproveitar a experiência adquirida pelos policiais no período em que serviram ao Gaeco. Desde que ele assumiu a Sesp, em setembro do ano passado, 11 policiais civis e seis militares já haviam sido recolhidos. Hoje, a maioria deles exerce funções diferentes das que desempenhavam no grupo. A escala da Polícia Mi­litar prevê que, ainda neste mês, quatro dos 27 PMs que estão há mais tempo no Gaeco voltem a seus batalhões de origem. A intenção é que o rodízio ocorra a cada dois anos. A divulgação do escalonamento acirrou os ânimos dos integrantes do grupo, que ameaçam uma debandada geral. Segundo o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, o trabalho do órgão pode simplesmente parar. “Vai esvaziar o Gaeco. Provavelmente, todos os policiais deixem o grupo”, disse. Para Batisti, a substituição dos policiais é uma represália à atuação do Gaeco, que tem entre suas atribuições o controle externo das polícias. No mês passado, por exemplo, o grupo concluiu a Operação Vortex, que apontou um esquema de corrupção envolvendo delegados e policiais civis. “Os argumentos [da Sesp] até podem seduzir alguém, mas [o objetivo da mudança] é desestabilizar o nosso trabalho”, avaliou Batisti. “Vai haver a interrupção de muitos trabalhos, muitas investigações vão se perder. Outras terão que recomeçar do zero”, completou. Sem retaliação O secretário de Segu­rança rechaça a tese de retaliação e diz que a substituição dos agentes cedidos ao Gaeco vinha sendo discutida desde o ano passado dentro das polícias. A intenção dele é que os regressos ministrem pequenos cursos e whorkshops aos demais policiais. “Não há intenção de enfraquecer o Gaeco. Pelo contrário. Isso aperfeiçoa a segurança pública”, disse. “A interação com o MP vai acabar se multiplicando. Vai ter mais gente trabalhando junto”, acrescentou. Agentes sofrem represálias no retorno à polícia Policiais que serviram ao Gaeco foram pouco aproveitados após retornarem a suas corporações de origem. O destino dos agentes quase sempre tem sido serviços administrativos, bem distantes das atividades de inteligência e investigativas que desempenhavam no órgão especial. “Nenhum deles voltou a atuar em funções correlatas a que exerceram aqui”, assegura o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti. A Gazeta do Povo ouviu quatro agentes que já foram cedidos ao Gaeco – dois ainda atuam no órgão. Eles destacam que não puderam desenvolver ou compartilhar nas polícias os conhecimentos que adquiriram no grupo. Pior: foram preteridos por colegas com menos formação. “A experiência simplesmente não é transmitida”, resumiu um policial civil que cumpre funções administrativas. “Não há preocupação com a capacitação que o servidor recebe. É sempre quantitativo e não qualitativo”, afirmou um PM que também serviu ao grupo. Como ao longo de sua atuação no Gaeco os agentes investigam policiais, quando retornam à instituição de origem, sentem na pele o corporativismo que impregna as forças policiais. “A gente faz o que as corregedorias deveriam fazer. E ficamos marcados por isso”, afirmou outro PM. “A discriminação que a gente sofre dentro das polícias é violenta. Somos vistos como X-9 [gíria para dedo-duro]”, contou um policial civil. Em alguns casos, a discriminação se traduz em rejeição, de tal forma que os servidores não conseguem permanecer em um mesmo setor por muito tempo. Sob o rótulo de “traidores”, são transferidos constantemente. “Minha experiência no Gaeco não serviu nada, porque virei ‘moeda de troca’ dentro da polícia”, conta o policial civil. Ele já foi transferido três vezes desde que deixou o grupo. O secretário de Segurança, Cid Vasques, confirma que o destino dos policiais que são recolhidos após servir ao Gaeco não era controlado pela Sesp, mas garantiu que vai supervisionar os resultados a partir de agora. “Seria um contrassenso estabelecer uma política com o propósito de aproveitar melhor esses agentes e não fazer o acompanhamento. Vamos cobrar das polícias”, prometeu.
Posted on: Fri, 06 Sep 2013 12:22:45 +0000

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